Glória de Dourados, 24 de Setembro de 2018
Terça, 11 de Setembro de 2018 - 07h35
Na Santa Casa, sobra UTI para convênios, mas falta para o SUS
Caso foi registrado em agosto, em oito vagas de Unidade Intensiva

Correio do Estado

Oito leitos de Unidade de Terapia Intesiva (UTI) da Santa Casa, exclusivo para pacientes do Sistema único de Saúde (SUS), foram utilizados por pacientes particulares e de planos de saúde de forma irregular. A situação ocorreu no dia 27 de agosto e foi confirmada pelo Conselho Municipal de Saúde (CMS), que divulgou o caso com exclusividade para o Correio do Estado.

Apesar de ocorrer com frequência, de acordo com o CMS, esta foi a primeira vez que o problema foi confirmado pelos conselheiros municipais de saúde. “Não é a primeira vez que contece, sempre que ocorre ficamos sabendo por denúncias, inclusive dos próprios funcionários do hospital. Desta vez conseguimos checar e comprovar a situação”, disse a presidente do Conselho, Maria Auxiliadora Villalba.

O atendimento de pacientes privados em vagas destinadas ao SUS impacta diretamente nos serviços de saúde da Capital. “Proibido não é, mas gera um reflexo em todo o sistema. O correto é que os planos ou os pacientes privados (que custeiam a própria internação) tenham leitos exclusivos dedicados a eles. E que as vagas públicas sejam para quem realmente precisa e não tem condições de pagar”, explicou o secretário executivo do CMS, Josimar Corvalã dos Santos.

Entre os leitos de UTI utilizados, cinco eram para adultos e três para recém-nascidos (neonatal). 
“Leito de UTI privado para recém-nascido não acha mesmo na cidade. Mas foi uma surpresa pra gente a questão dos adultos, por conta da quantidade. Com esta situação toda, recomendamos uma auditoria e a Santa Casa pode ter desconto do repasse”, disse Santos.

No entanto, “eles (Santa Casa) nunca devolve dinheiro, acabam compensando em serviços ou desconta no montante a receber. Porém sempre buscam compensar, na maioria das vezes”, disse Santos.
O Conselho confirmou o uso irregular das vagas, mas não informou por quanto tempo as mesmas foram ocupadas e nem se a situação ainda persiste. A Santa Casa foi procurada para explicar a situação, porém não respondeu aos questionamentos até a conclusão desta reportagem.

E antes mesmo da data do flagrante do Conselho na Santa Casa, integrantes do hospital se reuniram com o CMS e representantes da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), em 11 de julho deste ano. Na ocasião, como mostra fac-símile nesta página, a direção confirmou o uso indevido de leitos. 

 
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