Glória de Dourados, 01 de Outubro de 2020
Quarta, 25 de Março de 2020 - 08h19
Estarrecedor o discurso de Bolsonaro, diz Resende em carta assinada com secretários de saúde
Na carta, secretários pedem retratação do presidente da República

midiamax

Secretário de Saúde de Mato Grosso do Sul, Geraldo Resende, disse ser estarrecedor o discurso do  presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) na noite de ontem (24), ao dizer que o coronavírus é um “resfriadinho”, que pouca gente vai contrair e que a mídia espalhou a sensação de pavor. Resende assinou uma carta com os outros 26 secretários do país se posicionando sobre o assunto e inclusive, pedindo a retratação de Bolsonaro.

Resende disse ao Jornal Midiamax na manhã desta quarta-feira (25), que ele e os outros secretários do país, emitiram uma nota logo após o pronunciamento do presidente, dando todo apoio ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e toda equipe do ministério. “Entendemos o discurso como estarrecedor”, falou.

De acordo com a carta publicada nacionalmente, os secretários de saúde disseram terem assistido ao pronunciamento “estarrecidos”. “É preciso demonstrar ao Brasil as suas consequências para que toda a sociedade perceba a gravidade do momento que estamos vivendo. Temos, juntamente com o Ministério da Saúde, os municípios  e a própria sociedade brasileira, empreendido uma intensa luta no enfrentamento da Covid-19”.

Segundo outro trecho da nota, todas as decisões e recomendações do Conass e do Ministério da Saúde têm se baseado em evidências científicas, na realidade nacional e internacional  e buscado inspiração nas melhores práticas e exemplos de ação e condutas exitosas ao redor do mundo.

No posicionamento, os titulares da pasta falam que é este o esforço que tem empreendido em defesa da pátria e dos irmãos e irmãs brasileiros. “É dessa forma, desassombrada e corajosa, na direção correta que queremos seguir nesta missão de defender nossa gente. Não temos intenção de politizar o problema”.

Ainda na carta, os secretários pedem uma retratação do presidente da República. “Não podemos permitir o dissenso e a dubiedade de condução do enfrentamento à Covid-19. Assim é preciso que seja reparado o que nos parece ser um grave erro do Presidente da República”.

Confira a nota na íntegra: 

“Carta dos Secretários Estaduais de Saúde do Brasil após pronunciamento do Presidente da República”

Assistimos estarrecidos o pronunciamento em cadeia nacional do Presidente Jair Bolsonaro. É preciso demonstrar ao Brasil as suas consequências para que toda a sociedade perceba a gravidade do momento que estamos vivendo. Temos, juntamente com o Ministério da Saúde, os municípios  e a própria sociedade brasileira, empreendido uma intensa luta no enfrentamento da Covid-19.

Luta que envolve trabalho, sacrifício, solidariedade, empatia, compaixão com o sofrimento das pessoas e  alinhamento de entendimento e de ações, união de esforços e uma única direção. Todas as decisões e recomendações do Conass e do Ministério da Saúde têm se baseado em evidências científicas, na realidade nacional e internacional  e buscado inspiração nas melhores práticas e exemplos de ação e condutas exitosas ao redor do mundo.

É este o esforço que temos empreendido em defesa de nossa pátria e de nossos irmãos e irmãs brasileiros. É dessa forma, desassombrada e corajosa, na direção correta que queremos seguir nesta missão de defender nossa gente. Não temos intenção de politizar o problema. Temos construído, sem dificuldade, independente de colorações partidárias, políticas e ideológicas, consensos para o bem do SUS e, sobretudo com a saúde de nosso povo. É isso que norteia nossas ações e esforços. Este é nosso compromisso. Já temos dificuldades demais para enfrentar. Não podemos permitir o dissenso  e a dubiedade de condução do enfrentamento à Covid-19. Assim é preciso que seja reparado o que nos parece ser um grave erro do Presidente da República.

Ao invés de desfazer todo o esforço e sacrifício que temos feito junto com o povo brasileiro, negar todas as recomendações tecnicamente embasadas e defendidas,  inclusive, pelo seu Ministério da Saúde, deveríamos ver o Presidente da República liderando a luta, contribuindo para este esforço e conduzindo a nação para onde se espera de seu presidente: um lugar seguro para se viver, com saúde e bem estar.

Infelizmente o que vimos em seu pronunciamento foi uma tentativa de desmobilizar a sociedade brasileira, as autoridades sanitárias de todo o país e, inclusive,  seu próprio Ministério da Saúde. Sua fala dificulta o trabalho de todos, inclusive de seu ministro e técnicos.

Todo o apoio à atuação do Ministério da Saúde e sua equipe técnica, que tem trabalhado técnica e cientificamente em todos os momentos. Com saúde não se brinca e nem se fazer apostas, diante do risco que corremos. É preciso discernimento, coragem e determinação para liderar, unificar e auxiliar a nação a superar mais este desafio de Emergência em Saúde Pública.

Temos plena consciência de que o Brasil e o mundo irá enfrentar uma grave recessão econômica, aprofundamento das desigualdades sociais e empobrecimento. A economia, com trabalho, disciplina, organização e espírito publico, se recuperará. Seremos solidários e trabalharemos sem descanso para permitir uma rápida recuperação da nossa economia.

 
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